DIZem BUCHA

Não adianta procurar, pois, aqui você não vai achar nada para lhe agradar! Mas se mesmo assim você quiser espiar, sinta-se livre para "DIZemBUCHAR".
Frase do momento: Quero meu cérebro de volta!



Domingo, Outubro 21, 2007

EU NUNCA ESQUECI...



Pouco adiantou
Acender cigarro
Falar palavrão
Perder a razão

Eu quis ser eu mesmo
Eu quis ser alguém
Mas sou como os outros
Que não são ninguém

Acho que eu fico mesmo diferente
Quando eu falo tudo o que penso realmente
Mostro a todo mundo que eu não sei quem sou
Eu uso as palavras de um perdedor

As brigas que ganhei
Nem um troféu
Como lembrança
Pra casa eu levei

As brigas que perdi
Estas sim
Eu nunca esqueci
Eu nunca esqueci

(Perdendo Dentes - Pato Fu - Composição: John/Fernanda Takai)


Figura? clique: Orlandeli

postado por: INGRID GUERRA 11:01 PM DIZemBUCHA aí!! Comments:


Quinta-feira, Outubro 18, 2007

CONFESSO QUE NÃO SOBREVIVI



Madrugada dos mortos


Por: Ingrid Guerra


Madrugada de sábado. Passavam das 3 horas da manhã e o novo arquivo, aberto no Word, continuava em branco. Ainda sobre a mesa, ao lado do computador, repousava o livro O reino e o poder: Uma história do New York Times, daquele que, além de ídolo, fora chamado de “Picasso da reportagem” – pela Folha de São Paulo um dos principais jornais do país: Gay Talese.
Não fossem as limpezas diárias, feitas pela mãe, no quarto, seria possível ver sobre a capa uma fina camada de poeira. Resquícios do abandono que durava dois meses. As expectativas eram de que a leitura se desse nas férias de julho. Mas o segundo semestre letivo começou, a obra permaneceu no mesmo lugar e nada mudou. Ou quase nada.
Há, sim, fatores novos: As angústias se multiplicaram, a falta de ânimo se tornou crônica, o cérebro deixou de funcionar como deveria, o raciocínio ficou mais lento, decretando uma espécie de limbo metal. Dali nada podia sair. As idéias que por ventura se atreveram a escapar viraram pó, antes mesmo de se concretizarem.
O diagnóstico não é difícil de adivinhar: é a morte minguante de uma paciente moribunda, que durante 6 longos anos resistiu bravamente aos percalços da vida acadêmica. Em tempos de glória chegara a ser comparada a Tom Wolfe, outro renomado jornalista, por um professor de redação. Embora, ás vezes, tivesse a impressão de que o elogio viera mais por apreço do que propriamente pelo talento, gostava de pensar que um dia seria comparada a seu ídolo-mor.
Hoje, porém, nem esta ilusão lhe restara. A arte de sujar sapatos, herança daquele que a influenciava e da qual era adepta – indo sempre pessoalmente atrás de suas fontes – não podia ser realizada. Afinal, sequer a pauta conseguia formular com propriedade. Como, então, ir em busca das informações que a fariam escrever textos inspirados? Impossível!
Enquanto isso, os prazos vão se esgotando. As cobranças começam e o medo/a certeza de decepcionar a consome. Não queria confessar a professora sua incapacidade. Não agora, prestes a se formar e tentando entrar no mercado de trabalho. No entanto, não podia fugir de um fato: a monografia, que fizera no semestre anterior, aliada ao estágio de aperfeiçoamento de texto, havia lhe consumido de tal modo que a recuperação se tornava árdua. Principalmente porque em nenhum dos dois obterá o sucesso esperado.
O fantasma da incompetência lhe rondava e a impedia de escrever ali, naquele novo arquivo do Word, a pretendida pauta que, há dias, deveria ter se tornado uma reportagem. Pensara em várias possibilidades. Queria falar sobre respeito, melhor dizendo, sobre a falta dele na sociedade moderna.
Desejava dar voz aos moradores de rua, aos cobradores de ônibus ou mesmo aos motoristas – já que a opinião dos passageiros quase todos conheciam. Porém, não estava certa de como se aproximar, o que perguntar e de que forma embasar tudo isso. Lembrara de uma propaganda que teria encaixe perfeito e poderia ser o gancho de abertura da matéria. Todavia, esquecera do anunciante. Pesquisara na Internet, entre amigos e nada. Ninguém sabia. Aquilo foi consumindo-a ainda mais e lhe provocando enxaqueca, até que desistira, quase chorando. O melhor a fazer era relaxar e esperar que a dor passasse.
Olhou então para o livro ao seu lado. Decidiu, finalmente, folheá-lo. Começou a ler: “em sua maioria, os jornalistas são incansáveis voyeurs que vêem os defeitos do mundo, as imperfeições das pessoas e dos lugares. Uma cena sadia, que compõe boa parte da vida, ou a parte do planeta sem marcas de loucura não os atraem da mesma forma que tumultos e invasões. (...) A tristeza é o jogo, o espetáculo, sua paixão, a normalidade, sua nêmese”. Como sempre, gostara do que lera, mas, era preciso dormir. O que fez com a esperança renovada. Quem sabe a leitura e a nova semana que se anunciava lhe trouxessem, ao invés da morte, inspiração.


Ilustração? Orlandeli

postado por: INGRID GUERRA 11:04 PM DIZemBUCHA aí!! Comments:


on-line


Ingrid/Female/21-25. Lives in Brazil/Rio Grande do Sul/Porto Alegre/Rio Branco, speaks Portuguese and English.
This is my blogchalk:
Brazil, Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Rio Branco, Portuguese, English, Ingrid, Female, 21-25.

O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil
arquivo