DIZem BUCHA

Não adianta procurar, pois aqui você não vai achar nada para te agradar! Mas, se mesmo assim você quiser espiar, sinta-se livre para "DIZemBUCHAR".
Frase do momento: Quando conversar se torna algo de fato insuportável, sempre há tempo para ler o que outros insanos escreveram quando não queriam falar.



Sábado, Junho 24, 2006



Pânico quando o telefone toca

O simples som do aparelho é capaz de provocar arrepios de medo em pessoas com telefonofobia


Texto e foto: INGRID GUERRA


Trimmmm! O telefone toca. Do outro lado da linha alguém busca informação, deseja fazer um pedido ou apenas dizer olá. Enquanto ele espera ser atendido, reações físicas incomuns ocorrem aqui, no lado inverso. Pânico, calafrios, náuseas, falta de ar. Estes são alguns dos sintomas citados por membros da comunidade Eu odeio telefone, no site de relacionamentos Orkut.
Essa angústia pode refletir mais do que uma simples aversão ao som do aparelho criado por Alexander Graham Bell, no século XIX. Principalmente quando sensações desta natureza são percebidas, também, no momento em que deveria ser realizada uma ligação. Por vezes elas indicam o Transtorno de Ansiedade Social.
Conhecido, popularmente, como Fobia Social, se caracteriza pelo medo intenso de ser avaliado por outros e/ou ser humilhado em público. A ansiedade pode se manifestar com palpitações, vertigens e sudoreses, assim como ser circunscrita (ocorrer apenas em algumas situações) ou generalizada (em qualquer contexto social).
A Fobia Social é o terceiro transtorno psiquiátrico mais comum, sobretudo em áreas urbanas. Sua prevalência é em torno de 13%. Afeta homens e mulheres em geral inicia na infância ou no começo da adolescência. Só nos Estados Unidos acredita-se que 15 milhões de indivíduos apresentem esta forma de inquietação. No Brasil não há dados específicos do quanto freqüente é a doença. Todavia, as estimativas são altas.
Uma breve busca no Orkut pode ser reveladora. Em uma comunidade denominada Eu não sei falar ao telefone, 12.110 pessoas estão cadastradas. Embora a alcunha não seja tão especifico quanto a Eu odeio telefone (8.893 membros), sua definição indica que seus integrantes possuem grandes chances de entrar para as estatísticas: "Seu coração bate de uma forma estranha quando toca o telefone? Você não atende o telefone quando está sozinho em casa? Você detesta ouvir "é pra você"? As pessoas vivem te enchendo porque você nunca liga para elas? Você simplesmente ODEIA falar ao telefone? Você se acha um anormal por causa disso?"
A psicóloga Luciane Benvegnú Piccoloto, membro do Centro de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, revela que existe uma tendência a se menosprezar os medos fóbicos: "as pessoas costumam demorar a procurar tratamento porque acham que são mais quietas ou os indícios sejam reflexos de uma timidez". Assim, é possível ficar até 25 anos com a doença, segundo dados epistemológicos, e só então conseguir uma melhora.
No entanto, é importante analisar bem os sintomas, evitando deste modo a incidência de erros. Para saber quando a animosidade está ultrapassando o medo é necessário avaliar o grau de prejuízo funcional que o indivíduo está tendo. "As pessoas têm todo um arsenal para evitar falar ao telefone. Pedem que outras façam as ligações, despendem tempo arquitetando maneiras de fugir da situação, ou até perdem alguma oportunidade com suas estratégias de evitação", explica Luciane.
Este é o caso do professor de alemão, Steven da Costa Diniz. "Eu tento fugir ao máximo de ligações. Invento mil desculpas para não fazê-las. O que já fez com que perdesse algumas oportunidades de emprego. Mas, quando ligo, depende do meu estado na hora, consigo abstrair o nervosismo. Quando não, gaguejo bastante, suo e o coração acelera".
Em situações específicas é possível contar com a ajuda de betabloqueadores (substâncias usadas no tratamento da hipertensão, que agem no sistema nervoso autônomo) para atenuar os sintomas físicos. Entretanto, o tratamento vai depender de cada caso. Podendo ser feito através de Terapia Cognitivo-Comportamental (individual ou em grupo) e/ou com psicofármacos (antidepressivos, ansiolíticos).
A Fobia Social tem tendência a cronicidade, ou seja, não possui cura. Mas é possível obter melhoras significativas e alívio do sofrimento. Apesar de parecer difícil para o paciente, as técnicas de exposição e relaxamento, aliadas a psicoeducação (onde se aprende o que é o transtorno, como ele se desencadeia etc) demonstram ser as mais eficazes na retomada de uma vida normal.
Enquanto isso não ocorre o telefone permanece tocando. Trimmm! Trimmm! Trimmm! E continuará assim, a não ser que uma atitude seja tomada. O primeiro alô é só o início da jornada. Neste mundo cada vez mais ligado à comunicação não há como escapar, até uma matéria pode te por em uma roubada. Afinal, a confirmação de uma entrevista é por telefone, marcada.

Leia abaixo depoimentos de pessoas com dificuldade de ser relacionar via telefone.



"Seja o que Deus quiser"

"Minha timidez se manifesta muito quando preciso ligar para alguém. Várias vezes eu anoto o que quero perguntar, mas, isso não adianta, é até pior porque o nervosismo é maior por eu estar claramente agindo como se aquilo fosse uma coisa muito difícil. Por isso, em certas vezes eu simplesmente pego o telefone, ligo, e seja o que Deus quiser".


Steve da Costa Diniz, tem 27 anos, mora em Florianópolis e trabalha como professor estagiário de Alemão na UFSC.


"Silêncio Constragedor"

"Sou péssimo em diálogos ao telefone. Ali, a única atividade possível é falar, falar, falar, falar... Enfim, sou bem reservado. Odeio o caráter 'imediatista' destas conversas em que os diálogos são um 'toma lá, dá cá', e exigem respostas instantâneas, parecendo um interrogatório. Não sou espontâneo, não tenho assunto e muitas vezes não sei o que falar. Sou um especialista no quesito 'silêncio constrangedor'". Também não suporto telefone celular. Não me agrada a idéia de ser 'monitorado'".

Antonio Jin, tem 33 anos, mora em São Paulo capital e trabalha como administrador.



"Medo de notícias Ruins"

"Não tive telefone na infância porque era muito caro. Na adolescência, quando meus pais compraram, as ligações tinham um alto custo, era inconveniente falar muito. O telefone era usado só para assuntos diretos e muito importantes. Assim, ele acabou ganhando uma conotação de 'notícias ruins'. Então nunca consegui ter uma boa relação com o aparelho".

Cláudio Guirunas, tem 26 anos, mora em Florianópolis e trabalha como programador (web).

postado por: INGRID GUERRA 6:07 PM DIZemBUCHA aí!! Comments:


Domingo, Junho 18, 2006


Bodas, honra e sangue: a história de uma morte anunciada


Por: Ingrid Guerra


Amparando com as mãos as entranhas que afloraram pelo corte horizontal no ventre, Santiago Nasar, de apenas 21 anos, desabara de bruços, morto, sobre o chão da cozinha, na manhã em que o bispo visitara o Caribe. Os cortes espalhados por toda a extensão de seu corpo foram feitos a facadas, a mais de 100 metros dali, em frente à porta principal da casa onde morava, pelos irmãos de sua hipotética amante.
Eram 7 horas da manhã quando os gêmeos Pedro e Pablo Vicário cumpriram a promessa que haviam anunciado a todo o povoado, desde o início do alvorecer. O homicídio do jovem árabe não era, em verdade, desejado por eles, mas necessário para limpar a honra da irmã.
Ângela Vicário, a filha menor de uma família de recursos escassos, que se casara na véspera com Bayardo San Román - forasteiro rico e misterioso que seis meses antes, havia aportado no lugarejo -, fora devolvida à casa dos pais, tão logo revelou-se que a moça não era mais virgem. Pouco antes das 3 horas da manhã, os gêmeos voltaram da farra, chamados com urgência pela mãe, Puríssima del Carmen, e ordenaram à irmã que revelasse o nome do amante. Sem muito pensar, ela declarou: "Santiago Nasar". Estava cansada e pensava apenas em dormir para que aquele dia finalmente acabasse.
Assim que conseguiram o nome do transgressor, os irmãos passaram pelo depósito onde guardavam os instrumentos da labuta de açougueiro. Escolheram as melhores facas e enrolaram-nas em um pano de cozinha, antes de partir rumo ao mercado de carnes, para afiá-las.
A presença dos dois causou estranhamento ao proprietário do mercado, Faustino Santos, que não estava acostumado a vê-los ali, tão cedo e em plena segunda-feira, afiando facas, principalmente após a comemoração do casório. "Achei que estavam tão bêbados, que não apenas tinham se enganado de hora, mas de dia" declarou Santos.
A suspeita de embriagues, também lhe deixou em dúvida se Pedro e Pablo estavam falando a verdade quando proclamaram, para que todos ouvissem, que matariam Santiago Nasar. Apesar da incerteza, ligou para o delegado, que viera ao encontro dos gêmeos tomar-lhes as armas. Reter apenas as facas na delegacia, porém, não fora o suficiente para evitar a tragédia que se anunciava.
O jovem árabe era o único no povoado que desconhecia a prenuncia de sua morte. Apesar de todos terem ciência das intenções dos irmãos - que após o encontro com o delegado retornaram ao depósito em busca de outras facas - ninguém fora capaz de avisar o rapaz, por considerar que o ato não se consumaria, ou por achar que outros o teriam avisado. Apenas minutos antes de ser atacado, recebera a notícia de que os gêmeos o queriam matar. Porém, já era tarde demais para qualquer defesa.

* Sim, esta é a história de Gabriel García Márquez - A crônica de uma morte anunciada - transformada em uma matéria (notícia), para a cadeira de Produção em Jornal.

postado por: INGRID GUERRA 7:39 PM DIZemBUCHA aí!! Comments:


Sábado, Junho 17, 2006


A vida após a Guerra: o mundo se reconstroi


Ingrid Guerra


Conturbada. Sim, este é um bom termo para definir a década seguinte ao final dos bombardeios atômicos da primeira metade do século XX. Época de transformação e reorganização do mundo, os anos 50 incitaram pessoas a uma nova mentalidade psicológica e cultural.
Viver intensamente cada momento, arriscando-se sempre, passou a ser o lema dos jovens que viam no cinema seus desejos secretos se realizarem através de James Dean. Com o astro Hollywoodiano eles adquiriam a coragem necessária para concretizar os sonhos de uma juventude considerada transviada. Sonhos estes embalados por canções barulhentas de um ex-caminhoneiro chamado Elvis Presley.
O prodigioso rock'n'roll de Elvis, todavia, não era o seu único atrativo. Para milhares adolescentes apenas um olhar, daquele charmoso rapaz de topete negro, era o suficiente para provocar histeria ou o desfalecimento. Mesmo quando transmitido pela tela de um televisor, que chegou ao Brasil pelas mãos de Assis Chateaubriand.
Foi com a telinha, ainda em fase de experimentação por aqui, que importantes acontecimentos, como o início da disputa entre Estados Unidos e União Soviética pela liderança na exploração espacial, marcaram a história da década.
Após a II Guerra o mundo se dividiu em dois segmentos o bloco socialista -liderado pela URSS - e o bloco capitalista - liderado pelos EUA. A disputa de poder entre os dois blocos foi chamada de "guerra fria". O movimento político anticomunista foi desencadeado nos EUA pelo senador republicano Joseph McCarthy e recebeu o nome de McCarthismo caracterizando-se pela perseguição implacável a todos os comunistas e simpatizantes, com base principalmente na delação que produziu uma intimidação esmagadora, o controle de informação, propaganda e medo injustificado.
Apesar do temor que a situação pudesse gerar o American Way of Life continuava em alta e em contrapartida a ele ressurge na Europa o estilo modernista da Bauhaus. Já no Brasil, como não poderia deixar de ser, também se foi em busca da modernização, iniciando, assim, a fase de desenvolvimento econômico, com a industria siderúrgica e automobilista nacional. Com o slogan de crescimento de 50 anos em 5, o presidente Juscelino Kubitschek conquistou os eleitores e construir literalmente uma capital, contando com a ajuda do arquiteto Oscar Niemayer.
Em meio a tudo isso, a década vai se despedindo, não sem antes agraciar a seleção brasileira com o prêmio protelado desde a copa do mundo de 1950, sediada pelo Brasil. A taça do mundo só viria para as mãos dos jogadores em 1958, na Suécia, graças ao show à parte de Garrincha e de um jovem de 17 anos chamado Edson Arantes do Nascimento, que viria a ser conhecido como o maior jogador de todos os tempos.


Foto: Roy Schatt

postado por: INGRID GUERRA 10:07 PM DIZemBUCHA aí!! Comments:


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Ingrid/Female/21-25. Lives in Brazil/Rio Grande do Sul/Porto Alegre/Rio Branco, speaks Portuguese and English.
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