DIZem BUCHA

Não adianta procurar, pois aqui, você não vai achar nada para te agradar! Mas, se mesmo assim você quiser espiar, sinta-se livre para "DIZemBUCHAR". Frase do momento: Não há nada mais triste do que ter ciência de uma impossibilidade.



Domingo, Janeiro 22, 2006


Bendito 'Zé


Terminei ontem uma leitura que me esperava desde o finalzinho de novembro. Dediquei-me tanto aos relatos de guerras, assassinatos e assemelhados no último mês, do ano passado, que as amenidades literárias tiveram de ser proteladas.
Porém, tudo tem sua hora e Maldito: a vida e o cinema de José Mojica Marins, o Zé do caixão de André Barcinski e Ivan Finotti (editora 34, 446), veio para minhas mãos e olhos curiosos na segunda semana de janeiro. Logo depois de findada a obra de João Ubaldo Ribeiro, A casa dos budas ditosos.
Arrisco-me a dizer que mais do que a vida - e o cinema - de Marins, este livro é também um pouco o retrato dos anos 60 (censura, governo militar etc) - seguido por histórias das décadas seguintes.
Afinal, foi neste período que um bizarro ser surgiu nas terras tupiniquins. Uma espécie de vampiro brasileiro - sem a saliência dentaria de seus parceiros de outras plagas, mas, compensada por longuíssimas unhas retorcidas - que faz (ou fez) de tudo (tudo mesmo!).
Proponho até uma inversão, aqui, de um famoso clichê, para referir-me as desventuras deste produtor, cineasta, ator e - acredite - mulherengo paulistano: seria trágico se não fosse cômico (ou essa é a versão correta?)!
Na verdade as histórias são bastante tristes. Abordam a miséria, a ingenuidade, a superação (ou quase), depressão, solidão e abandono apesar de mostrar como um homem que fôra escrachado em sua pátria e apreciado fora dela se tornou "cult". Narra ainda a força de vontade e o esforço para se fazer cinema sem dinheiro no bolso, usando apenas seus grandes talentos. Sendo a lábia um dos principais dele e, também, a responsável pela maior parte das risadas dos leitores (que não serão poucas e que virão acompanhadas, por vezes, de espanto).
E, ao que parece, a leitura não poderia ter sido feita em melhor hora, afinal, segundo o site Uol cinema, o criador de À Meia-Noite Levarei sua Alma (1964), Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (1967) e O Estranho Mundo de Zé do Caixão (1967) - entre outros - voltará em 2006, rodando A encarnação do Demônio. É só esperar para ver e enquanto isso se divertir com Maldito.

Agradeço (novamente) a indicação e o empréstimo ao grande Júlio Cordeiro (que foi agraciado recentemente com um Prêmio Esso de Jornalismo pelo seu trabalho - fotográfico - na série de reportagens "paixão pelo futebol").

postado por: INGRID GUERRA 1:05 AM DIZemBUCHA aí!! Comments:


Sábado, Janeiro 07, 2006


Flores partidas, o ser e o nada


Flores Partidas (Broken Flowers - de Jim Jarmusch) tal qual Encontros e Desencontros (Lost in translation - de Sophia Coppola),) tem aquele ar de pretensão, que também pode ser chamado de pseudo-cult (embora algumas pessoas considerem "Lost in..." Cult de fato).
Como não poderia deixar de ser, já que o gênero é apreciado por críticos e a galerinha "antenada", corre o risco de entrar para alguma lista dos dez melhores filmes do ano (2005). Todavia, não traz grande deleite ao público "cabeção*".
A película nos apresenta o cinquentão - quiçá sessentão - Don Johnston (Bill Murray), um solteiro convicto e mulherengo, porém, apático que descobre, através de uma carta (em papel cor-de-rosa, datilografada em uma máquina de escrever com tinta vermelha) sem assinatura ou endereço, ser pai de um jovem de 19 anos. A revelação chega à casa de Don no exato momento em que sua última conquista (Julie Delpy) abandona o lar, reclamando da displicência amorosa dele.
Não obstante, a inércia deste velho conquistador o impossibilita de qualquer reação mais interessada (digamos assim). Curioso quem fica é seu vizinho - e melhor amigo -, o etíope, Winston (Jeffrey Wright) que incentiva Don a desvendar o que será o grande mistério da trama: quem - ou qual de suas antigas namoradas - enviou aquela missiva? Isso, claro, se tudo não passar de um belo trote.
Espontaneamente-precionado Don faz uma lista de mulheres com quem se relacionou a vinte anos atrás. Lá estão as loiras Laura (Sharon Stone); Dora (Francês Conroy) e Carmen (Jéssica Lange) e a, literalmente, ovelha negra do grupo Penny (Tilda Swinton).
Um filme feito de rápidas participações, música etíope, planos quase enfadonhos e cortes excessivos que não dão a ele nenhum charme. O máximo que faz é aprimorar a falta de expressividade facial a qual Murray tem se esforçado para dar mais veracidade a vidas nada cor-de-rosa de homens bem sucedidos. Assista se quiser (mas eu não recomendo!).


* 'tá, "inventei" essa nova classificação agora, para denominar aqueles espectadores que gostam, sim, de filmes europeus, argentinos, brasileiros e - porque não? - americanos, porém, não acham muita graça na falta de perspectiva de personagens apáticos com vidas vazias, que deveriam nos fazer pensar em nosso próprio vácuo interior (ou em pseudo-filosofia moderna).




E já que o meu primeiro post do ano caiu em um dia especialíssimo para uma de minha amigas, eu não posso "fechá-lo" sem antes desejar um BIG FELIZ ANIVERSÁRIO para a bela LUCIANA CASTILHOS, que completa, neste sábado, 23 verões.


Todos juntos, por favor, ao PARABÉNS:


Parabéns p'ra você.
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida.).


Aproveitando os costumes do Sul, cantemos também um parabéns gaudério, para animar a festa.


Parabéns,
Parabéns,
Saúde, Felicidade;
Que tu colhas sempre, todo dia,
Paz e alegria na lavoura da amizade.

Muito amor procê minha amiga. Divirta-se. Bjs!

postado por: INGRID GUERRA 12:40 AM DIZemBUCHA aí!! Comments:


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