Não adianta procurar, pois aqui, você não vai achar nada para te agradar! Mas, se mesmo assim você quiser espiar, sinta-se livre para "DIZemBUCHAR".
Frase do momento: Não há nada mais triste do que ter ciência de uma impossibilidade.
Sexta-feira, Dezembro 30, 2005
No dia depois de amanhã.
Assim como L.F. Veríssimo, também considero esta semana - que se sucede ao natal até a chegada do ano vindouro - supérflua. E se ela (a semana supérflua) só nos faz remoer o passado, melhor seria extingui-la definitivamente. Mas, para nossa infelicidade (do Veríssimo e a minha), não possuímos o poder de mudar o tempo (que terá um minuto a mais na virada, quando o relógio atômico será ajustado), ou a forma como ele nos é apresentado.
Se assim fosse... apreciaria alguns momentos em câmera lenta, enquanto outros seriam acelerados (passaria voando pelo natal e réveillon). Embora talvez no futuro pensasse em voltar a fita e deixar as coisas rolarem como devem ser, sem interferências. De qualquer forma, tudo isso é apenas um grande devaneio ou a pura e simples falta do que fazer (em termos).
Pensei em escrever uma retrospectiva, mesmo sendo o maior clichê desta época e apesar de odiar fazer algo só porque todos fazem. Todavia, parece que sou mais sensata do que supunha, afinal, não consegui ultrapassar sete linhas sem achar aquilo uma grande besteira.
Se revejo minhas ações todas as noites e me culpo por cada atitude idiota ao amanhecer, porque precisaria eu abrir esta caixa de pandora a procura de momentos? Melhor deixar eles onde estão. Pois os resultados podem variar de forma impressionante: oscilando entre o tédio e o espanto, entre o prazer e o pranto, entre a vontade e a impotência.
Ahhh a impotência. Queria poder me libertar deste sentimento vil, que sei, é muito mais psicológico do que físico. Quem sabe no próximo ano, no próximo mês, ou no dia depois de amanhã?
Aproveitando a deixa...
No dia depois de amanhã esqueça todas as convenções e obrigações e faça apenas o que você desejar. Assim você terá realmente um feliz ano novo - ou ao menos uma feliz virada.
Semana supérflua - Luis Fernando Verissimo (ZH - 29/12/2005)
Estou pensando em lançar um movimento para acabar com esta semana entre o Natal e o Ano-Novo. Ou o Natal passa para o dia 31 ou o dia 31 passa para o Natal. Assim, comemora-se tudo ao mesmo tempo, o ano termina, e pronto. Porque esta semana não serve para nada. É o apêndice do ano, igual àquela inutilidade anatômica que - suspeita-se - só existe para agradar aos cirurgiões e cuja única função no nosso organismo é supurar. A única função da semana depois do Natal é dar tempo às pessoas para trocarem seus presentes - ou seja, nada que não possa ser feito na primeira semana de janeiro.
A semana supérflua só leva a maus hábitos. Ficar remoendo o ano que passou e acumulando ressentimentos no fígado, como se não bastasse a comilança do Natal, por exemplo. Ou inventando retrospectivas insanas (os 10 melhores isto, os 10 piores aquilo) só para ajudar a passar o tempo. Já que é uma semana sem assunto, qualquer coisa vira assunto, e repetem-se as reportagens com videntes, profetas, babalaôs e economistas que nunca acertam o que vai acontecer no outro ano. Embora deva-se reconhecer que nós é que, muitas vezes, não soubemos interpretar suas previsões em linguagem cifrada, como a que anunciava, no ano passado: "Haverá um rei alemão" (o novo papa!) "e uma cueca rica" (que ninguém poderia imaginar o que significava).
A melhor comparação que se pode fazer da semana entre o Natal e o Ano-Novo é com um jogo de futebol já decidido na metade do segundo tempo mas que precisa ir até o fim. Um time já fez 4 a 0 e não se interessa em fazer mais, o outro já desanimou e se entregou, o próprio juiz só pensa em tomar um banho e ir para casa, mas ainda faltam 20 minutos de jogo. A semana desnecessária é isso, os 20 minutos finais de um jogo já liquidado. Uma semana só para cumprir o regulamento ou, no caso, o calendário.
É claro que a maior catástrofe do ano, como o tsunami no fim de 2004, pode acontecer na sua última semana. A semana entre o Natal e o Ano-Novo, além de tudo, é uma tentação para o destino fazer esta maldade suprema, provocar a principal notícia do ano quando todas as retrospectivas já estão prontas. Mas esta é apenas mais uma razão para suprimi-la.
Figura? Clique:
postado por: INGRID GUERRA 4:11 AM DIZemBUCHA aí!!
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Sexta-feira, Dezembro 23, 2005
O pranto na madrugada
Acordei. Liguei o abajur e olhei para o relógio. Eram 5 horas, madrugada de quinta-feira. Vi pelo espelho que o computador permanecia ligado. Levantei-me, fui até o banheiro. Voltei. Sentei-me em frente a tela e conectei à Internet, para checar e-mails etc.
De repente ouvi um choro. Alto, esganiçado até. Reconheci a vós da vizinha (adolescente) do andar superior. O som parecia vir do lado de fora do edifício. No entanto, não me espantei (ou importei-me). Ela costumava berrar pedindo socorro toda vez que discutia, por telefone, com o namorado. Porque deveria, eu, me importar com aquele pranto? Só podia ser algo banal.
Mas não era. A garota acabara de ser assaltada e não conseguia entrar em casa. Suas amigas dormiam tranqüila, não escutaram se quer o interfone tocar. Alheias a tudo e todos, foram acordadas aos socos na porta do apartamento, segundos após minha mãe (que para felicidade da jovem, a avistou ao checar, pela janela, o que estava acontecendo) ter aberto as portas do edifício para a garota.
Mais gritos e estouros. Discussões em decorrência da omissão da amigas. Para não provocar ainda mais alarde minha mãe a trouxe para nossa casa. Ofereceu-lhe chá de camomila. Conversaram por alguns minutos.
Mais calma, a jovem voltou ao seu apartamento. Porém, ao ver as companheiras que pernoitavam ali, sentiu a raiva invadir novamente seu corpo. Já passavam das 6 horas. Esbravejaram um pouco mais, antes de dar lugar ao silêncio. Que não durou muito, pois, logo os pássaros e automóveis o sucumbiram.
postado por: INGRID GUERRA 3:11 AM DIZemBUCHA aí!!
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Quarta-feira, Dezembro 21, 2005
Que venha o natal e o ano novo também!
Mal dezembro se anuncia e os comerciais e jingles de natal e reveillon pipocam na telinha. Nem sempre há como escapar das mensagens de esperança no ano vindouro; contidas desde o "invente, tente, faça um 'ano' diferente" ao "hoje a festa é sua..." (da Globo), passando pelo "VIDA é um grito de gol, é um banho de mar..." (de sua filial do Sul, RBS TV). E, querendo ou não, estas musiquinhas grudentas e repetitivas acabam ficando em nossa memória por um longo tempo.
Não podemos, no entanto, tirar das agências publicitárias o seu mérito. Principalmente por alguns trabalhos que nos emocionam ou que nós dão explicações (mesmo que não comprovadas) para algumas coisas.
Um bom exemplo destas "sacadas" (insight) é a nova campanha da RBS que propõe um 2006 repleto de novidades para desacelerar o tempo.
Como assim, desacelerar o tempo? Calma, está tudo explicadinho, ali em baixo, no texto da campanha (que infelizmente, quem não é gaúcho não conseguirá ver, pois a RBS tirou o link do vídeo que estava na página deles na 'net).
Ilustração? Bebel Calage
A campanha: em 2006 encha sua vida de novidades
Um ano, se não for bissexto, tem sempre 31.556.927,9 segundos. Mas, você não tem a sensação de que os anos passam cada vez mais rápido(s?)? Se a velocidade do tempo não mudou, quem mudou foi você.
Lembra da sua infância? Os dias não pareciam maiores? Pois é, para quem é criança tudo é novo e surpreendente.
Quando você faz algo pela primeira vez seu cérebro está todo ligado no que esta acontecendo. Você se sente mais vivo e os dias parecem mais longos. Agora, quando você faz tudo igual parece que você não fez nada e a sensação é de que o tempo voou.
Conclusão: a velocidade do tempo é diretamente proporcional ao tamanho de sua rotina.
Em 2006 desacelere o tempo. Encha a vida de novidades. Faça coisas que você nunca fez. Cada segundo pode ser diferente. E um ano tem 31 milhões, 556 mil... Bom, isso não é mais novidade para você.
(segue o jingle: - vida é fazer diferente, porque o tempo da gente assim dura bem mais... VIDA)
Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.
Então, para que usar toda aquela roupa calorosamente vermelha com "pluminhas" brancas no natal? Deixe o bom velhinho respirar!
Faça parte desta campanha (ano II)!!!
E, por ter sido uma garotinha excelente, aqui vai minha lista (parcial) de presentes (digite meu primeiro nome para ver).
postado por: INGRID GUERRA 3:45 AM DIZemBUCHA aí!!
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Quarta-feira, Dezembro 14, 2005
Meu reino (sic) por um pouco de paz.
Ainda viva. Apesar de uma provável catástrofe se anunciar, nada de grave ocorreu (ainda) a esta blogueira que vos fala. Mas, achei por bem tirar umas férias ("obrigadas"), sem comunicado prévio, do DIZemBUCHA. Não estava (ainda não estou, para ser sincera) apta a escrever por aqui. Alguns problemas no mundo real bloquearam minha criatividade e me fizeram refletir sobre algumas coisas também.
É bem verdade que esta época do ano nunca me agradou. Enquanto todos esperam ansiosos pelas comemorações e ritos de passagem eu procuro me livrar do inexorável. Infelizmente não há como fugir. Seria bom poder desligar neste momento (sem exagero). Porém, "A COISA" é persistente e bate a minha porta tão logo os primeiros boons-luminosos rasgam o céu. Pior, ELA vem sempre acompanhada da tríade do MAL (arrogância, estupidez e prepotência);
Talvez um dia eu aprenda a conviver com tudo isso. Ou encontre uma solução mais drástica. Enquanto este dia não chega, tento me refugiar nos livros. Desta forma além de colocar a leitura em dia (ou quase) ainda encontro um pouco de inspiração (ou tento, afinal, minha atenção fica prejudicada nestas horas).
Acho que é por isso que gosto tanto deles, mesmo que minha memória não retenha os detalhes das histórias lidas. São eles que me libertam - mesmo que por segundos - de algumas cargas diárias e, de certa forma, me ninam.
A TV aos 50 anos: criticando a televisão brasileira no seu cinqüentenário - org. Eugêncio Bucci.
Hiroshima - John Hersey
O gosto da Guerra - José Hamilton Ribeiro
Canudos 100 anos - Evandro Teixeira
Perdas e ganhos - Lya Luft (finalmente terminei de ler)
O inverno da Guerra - Joel Silveira (na finaleira)
Com saudades de minhas matérias? Não! Ok... mas, se quiser (ou estiver disposto (a)) leia a última (matéria) que fiz para o site Expresso (de Jornalismo Online).
O garimpo nos templos do retrô (23 de novembro de 2005)
Mais do que uma questão de economia, garimpar nos brechós é uma forma de encontrar peças interessantes, para transformar o básico em uma produção original. É por este motivo que novos - templos do retrô - têm surgido para suprir uma demanda em crescimento.
Quando surgiram, no final do século 19, os brechós não gozavam da mesma concepção que hoje possuem. Eram apenas lojas de artigos de segunda mão, destinados (muitas vezes) à pessoas que não teriam condições de adquirir roupas em estabelecimentos convencionais. Vem daí sua má fama de reduto de traças e velharias. Conceito que tem mudado.
Nem só de mercadorias usadas vivem os brechós modernos. Muitos deles possuem produtos sem uso, além de peças customizadas* com preços (super) acessíveis. Roupas de marcas famosas, artigos que já saíram de catálogo e a diversidade de estilo fazem destes, verdadeiros templos do retro, o refúgio de artistas e da "galera alternativa". Mas não só deles. Afinal, como sugere a estudante de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Ana Luiza Vieira, não há porque não comprar em brechós se é ali que se encontram as grandes marcas com preços acessíveis.
- Já comprei muitos sapatos, muitas bolsas por preços módicos, por 10 reais, 20 reais, maravilhosos. Então é só garimpar. Realmente tem que garimpar muito. A maioria desses brechós tem milhões de tralhas, milhões traças e pouca roupa boa. Mas, acho que é só ter um pouquinho de força de vontade que vale à pena - revela.
Outro bom motivo para aderir ao vintage é a exclusividade. Através da customização, roupas que outrora "fizeram sucesso" podem ser recicladas e voltar a atrair olhares. São estas peças únicas que agradam a professora aposentada Tania Maria Klein.
- Eu gosto de comprar em brechó porque é uma oportunidade que tenho de encontrar alguma coisa exclusiva. Diferente, diferenciada do que eu encontraria nas lojas.
Diferencial é o que procura, também, a proprietária do brechó Maria Flor, Daniela Pritsch, que inaugurou - há duas semanas - sua loja no bairro Rio Branco em Porto Alegre. Esta estudante de psicologia da Universidade Luterana do Brasil - que trabalha há 20 anos com artesanato - sempre que recebe (compra) uma nova peça, pensa em modificá-la.
- Normalmente eu olho com olhos para transformar, cortar, botar algum enfeitinho, alguma coisa. Eu até queria abrir com mais customização. Não consegui, porque tenho outras coisas paralelas, que não deu. Mas, agora, nas férias eu vou me dedicar bastante a customizar. Ter coisas bem diferentes.
Daniela pretende, ainda, disponibilizar espaço - nos fundos de sua loja - para um acervo de peça para figurinos de teatro. Mas
tudo no seu devido tempo.
CUSTOMIZAR - dar um toque pessoal a uma roupa ou objeto. Cortar camisetas é customizar.
RETRÔ - termo usado para roupas antigas que voltam à moda.
VINTAGE - termo em inglês para designar roupas de segunda mão, datadas, a moda que sai dos brechós.
Ilustração? Bebel Calage
postado por: INGRID GUERRA 12:21 AM DIZemBUCHA aí!!
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